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Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus



Muito bom dia, meus amigos!

A paz do Senhor esteja sempre com todos nós!

Na passagem de hoje, no evangelho de Mateus 22, 15-22, os fariseus se ajuntaram aos herodianos para preparar uma armadilha para Jesus. Inventaram uma pergunta na qual qualquer resposta ofenderia alguém e causaria uma enorme confusão. Entretanto, com a enorme sabedoria de nosso senhor Jesus Cristo, tal armadilha serviu de grande ensinamento a ser utilizado principalmente nos dias de hoje.

É lícito pagar impostos ao governo romano?

Essa pergunta poderia ser colocada da seguinte forma: O que é de César e o que é de Deus? Fariseus e herodianos eram as lideranças locais nos povoados da Galiléia. Bem antes, eles já tinham decidido matar Jesus (Mc 3,6). Agora, a mando dos Sacerdotes e Anciãos, eles querem saber de Jesus se ele é a favor ou contra o pagamento do imposto aos romanos, a César.

Pergunta esperta, cheia de malícia! Sob a aparência de fidelidade à lei de Deus, buscam motivos para poder acusá-lo. Se Jesus dissesse: “Deve-se pagar!”, poderiam acusá-lo junto ao povo como amigo dos romanos. Se ele dissesse: “Não se deve pagar!”, poderiam acusá-lo junto às autoridades romanas como subversivo.

“Dai, pois, a César o que é de César" : A moeda com a imagem de César.

“Dêem a Deus o que é de Deus!”, isto é, pratiquem a justiça e a honestidade conforme o exige a Lei de Deus, pois pela hipocrisia vocês estão negando a Deus o que lhe é devido.

 Louve-mos ao senhor, para nos dar sabedoria e discernimento, para separar-mos o que é de César e o que é de Deus!

 Marcos Melo
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Dai a César o que é de César-parte 2

Para complementar a reflexão sobre o evangelho de hoje, pode-se perceber que Jesus apesar de saber que o povo hebreu esperava um Messias que fosse um libertador político não usou isto a seu proveito ou até mesmo como uma oportunidade de fazer sua mensagem ser mais aceita. Jesus cumpriu sua missão sem ceder às tentações do poder e da vaidade humana...

Isto nos traz uma mensagem clara: apesar de existirem formas diferentes de se levar a mensagem do evangelho, Jesus escolheu aquela que já havia sido preparada pela Santíssima Trindade. Isto nos leva à uma reflexão sobre os critérios para se fazer o bem: quais as condições para que nossas atitudes sejam consideradas moralmente boas? Qual o critério correto, já que existem muitas formas diferentes de se alcançar um mesmo objetivo bom?

Segundo a Igreja Católica uma ação para ser moralmente boa, não basta apenas ter uma boa intenção na sua origem e também não basta alcançar um resultado que seja benéfico às outras pessoas. É bem diferente do que Maquiavel propôs: “Os fins justificam os meios”; e bem diferente do que vemos muitas pessoas falaram sobre sua aceitação de políticos corruptos: “Rouba mas faz”.

Para nós cristãos uma atitude só é aceita como moralmente boa mediante três critérios:

  1. O objeto escolhido – ou seja, a atitude tomada racionalmente;
  2. A intenção, ou fim desejado;
  3. As circunstâncias, incluindo as conseqüências da ação tomada.

Por exemplo, um serviço prestado tem por fim ajudar o próximo, mas pode ser inspirado, ao mesmo tempo, pelo amor de Deus como fim último de todas as ações ou pode ter várias intenções, como prestar um serviço para obter um favor ou para satisfazer a vaidade.(CIC 1752)

Uma intenção boa (por exemplo: ajudar o próximo) não torna bom nem justo um comportamento em si mesmo desordenado (como a mentira e a maledicência). O fim não justifica os meios. Assim, não se pode justificar a condenação dum inocente como meio legítimo para salvar o povo. Pelo contrário, uma intenção má acrescentada (por exemplo, a vanglória – contar vantagem) torna mau um ato que, em si, pode ser bom como a esmola (CIC 1753).

As circunstâncias – incluindo as conseqüências - contribuem para agravar ou atenuar a bondade ou malícia moral dos atos humanos. Podem também diminuir ou aumentar a responsabilidade do agente (por exemplo, agir por medo da morte). As circunstâncias não podem, por si mesmas, modificar a qualidade moral dos próprios atos; não podem tornar boa nem justa uma ação má em si mesma (CIC 1754).

Enfim, pode-se perceber que não adianta apenas querer fazer o bem (intenção), e não basta apenas ter uma atitude boa (objeto) porque as circunstâncias influenciam na qualidade moral da sua ação. Outro exemplo, um político ajuda uma família necessitada e depois lhes exigem que votem nele. Sua ação foi boa, mas suas intenções eram interesseiras, assim ele não praticou uma boa ação.

Um exemplo mais extremo: em nome da vontade da mãe se realizar um aborto. A intenção é o “bem” da mãe – coloco bem entre aspas, porque essa afirmação é discutível – o objeto, ou atitude é matar o feto e retirá-lo do útero da mãe (realizar um aborto) e as circunstâncias podem ser muitas, como uma mãe adolescente, ou uma mãe que foi agredida, ou uma mãe que simplesmente não quer o filho. A intenção pode até ser considerada boa; mas a atitude é intrinsecamente má porque envolve um assassinato, então mesmo que as circunstâncias possam ser atenuantes – como por exemplo o filho ser resultado de um estupro – como visto anteriormente estas circunstâncias não transformam este ato moralmente mau em um ato bom...

Temos que refletir sobre isso. Porque nossas atitudes - quando vivemos em sociedade - é a maneira que temos de fazer política e de ser cristãos.

Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!

Rafael Simões

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Dai a César o que é de César

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O Evangelho de hoje termina com uma daquelas frases lapidárias de Jesus, que deixaram uma marca profunda na história e na linguagem humanas:

"Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus".
Não é mais "ou César ou Deus", e sim um e outro, cada um no seu lugar. É o começo da separação entre religião e política, até então inseparáveis em todos os povos e regimes. Os hebreus estavam acostumados a conceber o futuro reino de Deus instaurado pelo Messias como uma «teocracia», isto é, como um governo dirigido por Deus em toda a terra através do seu povo. Agora, no entanto, a palavra de Cristo revela um reino de Deus que «está» no mundo, mas que não «é» do mundo, que caminha numa longitude de onda diferente e que, por isso, coexiste com qualquer outro regime, seja de tipo sacro ou «leigo».

 
Revelam-se, assim, dois tipos qualitativamente diferentes de soberania de Deus no mundo: a «soberania espiritual», que constitui o reino de Deus e que Ele exerce diretamente em Cristo, e a «soberania temporal» ou política, que Deus exerce indiretamente, confiando-a à livre escolha das pessoas e às causas segundas.
 
César e Deus, no entanto, não estão no mesmo nível, porque César também depende de Deus e deve prestar-lhe contas. «Dai a César o que é de César» significa, portanto: 'Dai a César o que o próprio Deus quer’ que seja dado a César. Deus é o soberano de todos, incluído César. Não estamos divididos entre duas pertenças, não estamos obrigados a servir «dois senhores». O cristão é livre para obedecer o Estado, mas também para resistir ao Estado quando este se coloca contra Deus e contra a sua lei. Neste caso, não vale invocar o princípio da ordem recebida dos superiores, como costumam fazer diante dos tribunais dos responsáveis de crimes de guerra. Antes de que aos homens, é preciso obedecer a Deus e à própria consciência.
 
O primeiro em tirar conclusões práticas deste ensinamento de Cristo foi São Paulo. Ele escreveu:
"Submetam-se todos às autoridades constituídas, pois não há autoridade que não provenha de Deus, e as que existem, por Deus foram constituídas. De modo que, quem se opõe à autoridade, se rebela contra a ordem divina... Por isso precisamente pagais os impostos, porque são funcionários de Deus, ocupados assiduamente nesse ofício"
(Rm 13, 1ss.)
Pagar lealmente os impostos para um cristão (também para toda pessoa honrada) é um dever de justiça e, portanto, um dever de consciência.
 
Garantindo a ordem, o comércio e todos os demais serviços, o Estado dá ao cidadão algo pelo qual tem direito a uma contrapartida, precisamente para poder continuar prestando estes serviços.
 
A evasão fiscal, quando alcança certas proporções – recorda o Catecismo da Igreja Católica – é um pecado mortal, similar ao de qualquer roubo grave. É um roubo feito não ao «Estado», ou seja, a ninguém, mas à comunidade, ou seja, a todos. Isso supõe naturalmente que também o Estado seja justo e equitativo quando impõe as taxas.
 
A colaboração dos cristãos na construção de uma sociedade justa e pacífica não se reduz a pagar os impostos; deve estender-se também à promoção de valores comuns, como a família, a defesa da vida, a solidariedade com os mais pobres, a paz. Há também outro âmbito no qual os cristãos deveriam dar uma contribuição maior à política. Não tem tanto a ver com os conteúdos, mas com os métodos, o estilo. É necessário mudar o clima de luta permanente, procurar maior respeito, compostura e dignidade nas relações entre partidos. Respeito ao próximo, moderação, capacidade de autocrítica: são traços que um discípulo de Cristo deve levar a todas as coisas, também à política. É indigno de um cristão abandonar-se a insultos, sarcasmo, rebaixar-se a brigas com os adversários. Se, como dizia Jesus, quem chama o irmão de «estúpido» já é réu da Geena, que será de muitos políticos?
 

Autor: Fr. Raniero Cantalamessa (modificado)

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